poetizando - inspire-se

Você não vai acreditar por em 28/04/2013

Eu tenho pai e mãe. Meu marido também. Que coisa incrível! Somos adultos, mas temos pai e mãe. E, agora vocês vão cair para trás: sabem quem são os meus pais? A vovó e o vovô!!!!

Essa foi a mais recente e fantástica descoberta do meu filho. Do alto de seus intensos 4 anos, ele descobriu (ao mesmo tempo!) que os pais um dia foram crianças e que seus avós (pasmem!) um dia tiveram filhos. E essas foram revelações das mais bacanas - e engraçadas - que ele já viu.

Achei linda essa reação e me lembrei de como eu também achava confusa essa coisa de família, de uma só pessoa poder ser mãe, tia, avó, prima, irmã... tudo ao mesmo tempo. E me lembrei também de como eu sentia que meus avós eram mais meus do que de qualquer outra pessoa. Demorei a engolir a ideia de que eles eram pais da mina mãe, afinal, meus avós passaram a ser meus no exato dia em que eu nasci.E que amor enorme sinto por eles e que saudade imensa eles me deixaram!

Eu e meus irmãos passávamos o dia com meus avós enquanto meus pais trabalhavam, e se tem uma coisa que eu aprendi com eles é que nenhuma criança deveria passar pela vida sem ter avós.

Meu avô era quem nos levava e buscava na escola, no curso de inglês... Foi ele quem me ensinou a rezar – e que me deu um livrinho de orações feito por ele e que guardo até hoje –, quem me deu a primeira mesada para comprar figurinhas, e quem me ensinou a anotar os acontecimentos em um diário. Paciente, com uma imensa boa vontade e sempre cheio de orgulho dos netos, meu avô adorava conversar e contar sobre a sua vida. Foi através dele que pude conhecer melhor as histórias antigas da família e a sua linda história de amor pela minha avó.

Minha avó era quem cuidava de nós, propriamente. Nunca houve nesse mundo pessoa como ela. Paciente, generosa, carinhosa, firme e compreensiva ao mesmo tempo. Na casa dela, podíamos tudo: comer no sofá, deixar os brinquedos espalhados para continuar a brincadeira no dia seguinte, encher o quintal de confetes e serpentinas no carnaval... Podia até falar bobagens (tipo “cocô”, “xixi”, essas coisas que criança adora falar e acha uma graça danada): minha avó nos mandava para a área de serviço e ficava na cozinha, ouvindo a gente rir sem parar enquanto falava todo aquele besteirol; depois, quando achava que já estávamos exagerando, ela nos mandava entrar e fim da história, nenhuma palavra mais sobre aquela bobageira toda! Ela era compreensiva, amorosa e mestra em nos contar historinhas que serviam de exemplo de conduta. Na casa dos meus avós só não podia palavrão e malcriação. E sobrava amor, segurança e proteção.

Tive a sorte de dar ao meu avô seu primeiro bisneto, mas, infelizmente, a minha avó não viveu o suficiente para conhecer os meus filhos. Pena. Tivemos tantos anos juntos e ainda acho tão pouco! Tenho saudade. E gratidão. E pai e mãe. É, filho, felizmente, a mamãe e o papai têm pai e mãe e, assim, você e seus irmãozinhos têm a imensa sorte de ter avós.





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