poetizando - inspire-se

A varanda por em 08/09/2013

Hoje cheguei até a varanda e tomei um susto. Era como se eu estivesse dormindo há muito tempo, como se tivesse acabado de me libertar de uma sala de cinema onde eu só via o que o mundo queria que eu visse.

Agora, acordado, pude perceber coisas que há muito tempo estavam ofuscadas por futilidades do dia a dia.

Nesse momento, posso sentir o sol esquentando meu rosto. Enquanto escrevo esse texto, posso ver as árvores balançando com o vento; posso ouvir o barulho dos sinos pendurados nas outras varandas; posso ver as nuvens mudando calmamente de lugar a cada parágrafo.

Isso tudo me fez perceber que às vezes o mundo parece difícil, mas que isso tudo não passa de uma ilusão sobre o que nos acostumamos a achar que o mundo é.

Nos acostumamos a trabalhar por dinheiro, a pagar mais caro do que as coisas valem. Nos acostumamos a fingir sentimentos, a não reclamar, a não fazer coisas arriscadas. Nos acostumamos a aceitar tudo o que nos falam, a ser acordados por despertadores, a pular da cama com qualquer barulho. Nos acostumamos a comprar presentes no natal, a ir engravatados para o trabalho mesmo com um calor de 40 graus. Nos acostumamos com as barbaridades do noticiário e com as roubalheiras. Nos acostumamos a acreditar que o dinheiro é o mais importante.

É incrível como uma simples visita à varanda pôde me mostrar tudo isso; me lembrar de que o mundo não é esse lugar cheio de regras que inventaram, e sim um lugar onde cada um pode ser o que quiser.





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