poetizando - inspire-se

A chegada por em 14/07/2013

Enquanto o marido colocava a bagagem no carro, olhou de relance pela porta entreaberta. Quanto tempo haviam passado naquele cômodo nos últimos meses! Inicialmente, encaravam as paredes nuas e as milhares de possibilidades que aquele ambiente vazio lhes oferecia. Depois, o orçamento sempre apertado tratou de cortar os gastos mais exorbitantes e desnecessários e de dar contornos mais concretos a seus desejos e planos.

O sonho foi tomando forma e, com muito esforço e uma boa dose de criatividade, aquele cômodo vazio se encheu, não só de móveis e cores, mas, principalmente, de expectativa, de amor, de esperança.

Parada ali, olhando tudo o que haviam preparado, sentiu seu coração bater acelerado e não pôde controlar as lágrimas. Sonhara tanto com esse dia! Sentia como se toda a sua existência só tivesse sentido para chegar ali, naquele exato momento. Não se lembrava de ter tido um sonho maior que esse em toda a sua vida.

E era exatamente por isso, por esse querer tão grande, por esse amor que transbordava, que era tão difícil de acreditar. Mas uma nova onda de dor e movimento, uma nova onda de força e vida deu a ela a certeza de que precisava. Era hora de ir.

Deu as costas para o aposento iluminado pelos primeiros raios de sol e foi ao encontro do marido. Quando voltassem ali novamente, teriam em seus braços o seu filho, o seu grande amor. Quase podia sentir o calor do seu corpinho e aquele cheirinho de céu de quem acabou de chegar. Se estava preparada? Com certeza. Foi para isso que ela veio a esse mundo. Essa era a sua razão de ser; sentir esse amor, esse calor, essa luz, essa alegria tão óbvia e ao mesmo tempo tão inexplicável. Sua alma estava ensolarada. Seu filho ia chegar. E, conforme a luz ainda tímida daquele novo dia anunciava, definitivamente, aquele era um dia de sol.





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